por Tiago Sousa e Silva
Parabéns aos Lobos pelo brilhante resultado em Hong-Kong! Parabéns a todos os jogadores, treinadores e demais equipa técnica!
Assim deve começar esta reflexão.
Gostaria de partilhar convosco algumas inquietações que me parecem pertinentes uma vez que, com o resultado obtido nos 7's, o Rugby português se acha, de novo, num momento de definição e de decisão que condicionará o futuro da nossa querida modalidade e, por arrastamento, uma imperiosa estratégia para a arbitragem portuguesa. As coisas não podem mais ser como até aqui!!
Está visto que foi totalmente perdido o esforço que a FPR despendeu, apesar de vivermos em época de profunda crise económica, no esforço de fazer um bom Campeonato da Europa de XV... Em apenas dois anos, as Selecções nossas adversárias atingiram um patamar de evolução técnica e de competitividade muito superiores ao nosso. Os seus níveis competitivos internos aumentaram muito; o número de jogadores internacionais que nessas Selecções estão colocados em campeonatos muito superiores aos dos seus países de origem aumentou muito significativamente; a política de investimentos IRB e FIRA deslocou-se para o Leste, com honríssima excepção da Espanha, cujo investimento interno, provocou no pós Barcelona'92, uma autêntica revolução desportiva generalizada. A Espanha é hoje uma super-potência desportiva e discute lugares cimeiros em qualquer desporto! Eu, por experiência própria, vi o que foi a abertura do ano desportivo (estágio de início de época) para os árbitros de rugby, em Valência em Setembro de 2008!!
Este resultado nos 7's e a escalada que se antevê para o Mundial de Moscovo já para o ano que vem e para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 faz antever que a estratégia de desenvolvimento da FPR para os próximos tempos seja fortemente orientada para esta vertente do nosso jogo, até porque não está em cima da mesa qualquer estratégia séria de desenvolvimento do rugby de XV. Desde essa minha experiência em Valência e das várias trocas de impressão que mantive com vários agentes do rugby português, a única escapatória possível para o XV é a concretização da "Iberização" do nosso desenvolvimento. Seja ao nível competitivo de clubes e Selecções, seja ao nível de desenvolvimento das camadas jovens, passando obrigatoriamente pela arbitragem.
Todos somos muito poucos e muito pequenos para fazermos estes altos voos «orgulhosamente sós»!! O pós-mundial certifica esta minha percepção!
E para nós, árbitros?
Quanto tempo mais nos vamos manter numa situação em que o nosso desenvolvimento depende quase exclusivamente da nossa obstinação pessoal? Quanto tempo mais aguentaremos sem treinos estruturados e sem treinadores específicos? Quantas mais épocas teremos sem observações objectivas e sem observadores credenciados? Quanto mais tempo nos manteremos com esta estrutura mínima de formadores de nível internacional e de momentos de formação adequados aos níveis de cada um? E já agora, quais os níveis que nos distinguem e o que precisamos de fazer para alcançar o patamar superior? Com o Manuel Barros foi iniciada uma estruturação (ainda que interna) de um Quadro de Árbitros credível, conhecido de cada um e de todos e actualizado todos os anos, pese embora pecasse na ausência de programas de desenvolvimento pessoais, para que a cada árbitro fossem dadas hipótese reais de evoluir para o nível superior. Passámos disso para a classificação IRB cujos contornos são, no mínimo, muito turvos... e cuja intervenção dos próprios visados é nula. Ninguém sabe como estará no início do próximo ano, nem como, nem porquê!
Como nos vamos preparar para esta evolução da cada vez mais expectável divisão do XV e do 7's? Seremos especificamente separados? Especificamente treinados? Como, por quem, quando?
Tal como na política e estratégia para o país, esperamos que os nossos melhores deixem Portugal para se afirmarem no contexto internacional, porque cá dentro nada lhes é proporcionado?
Sem metas, sem referências e sem exemplos, como estamos à espera (porque essa tem sido a nossa atitude) de captar árbitros jovens para uma carreira que não sabemos tornar atractiva?
Talvez estejamos, outra vez, à espera de uma cartinha das instâncias internacionais do Rugby a questionar-nos: Como raio podem vocês ter Selecções de nível internacional com tão baixo nível de desenvolvimento na arbitragem? Os vossos melhores jogadores são todos estrangeiros e, portanto, arbitrados por outras "figuras" da arbitragem internacional? É que, como já cá ando há uns anos, eu lembro-me que árbitros tiveram os nossos jogadores na campanha para o Mundial 2007, os mesmos que ganharam não sei quantas vezes seguidas os Europeus de 7's... e desses já cá não temos nenhum!!
É só uma reflexão...
Abraços do TSS