Através dos serviços da FPR, já devem ter recebido a mensagem que Paddy O'Brien, boss dos Árbitros IRB, decidiu enviar para todos os agentes do rugby pelo mundo fora.
Gostaria hoje de salientar apenas a parte dedicada ao maul que, segundo ele, tem sido "pobremente arbitrado", mais concretamente o maul de touche.
Gostava de vos deixar duas experiências pessoais muito recentes, para que possam reflectir por vocês próprios:
Num jogo S18 que arbitrei há poucas semanas, uma das equipas era estrangeira, mais concretamente inglesa, que veio jogar com uma equipa portuguesa. A dado momento do jogo, depois de sancionar a terceira falta aos visitantes, por obsturção antes que se formasse o maul na sequência de um alinhamento, resolvi interromper o jogo e no melhor inglês que consegui articular, explicar a razão da falta. Envolvi então na conversa, os treinadores. Não demorou mais de 3 minutos, mas justificou-se, até porque se tratava de um jogo "particular" e "amigável". A "coisa" ficou clara e não houve mais faltas.
Mas o que é importante aqui é que os treinadores e managers ingleses estranharam que essa Lei seja tão bem aplicada em Portugal, uma vez que no seu país, ela passa quase sempre despercebida, mesmo até, muitas vezes, no nível sénior.
Outra situação vivi num jogo recente da Divisão de Honra: Na sequência de uma touche, forma-se um maul, que inicia o seu movimento de progressão muito dinâmico, em direcção à área de ensaio adversária.
Numa primeira fase, o adversário demite-se e retira-se do maul, pelo que dei indicação verbal de que se mantinha a «formação espontânea». Depois, na tentativa de o parar, há duas faltas cometidas pelos defensores: uma tentativa de derrube, pela queda de um jogador no seu "miolo" e uma "entrada de lado" que pretendia "separar a cabeça do maul" do restante agrupamento. Nenhuma dessas acções surtiu efeito e o maul progrediu mais 20 metros, imparável.
No fim dessa progressão dá-se o descolamento da cabeça do maul (que continua a sua marcha) dos jogadores de trás (que estão na posse de bola) e que já não estão ligados. Este é momento da falta: obsturção!
Cá fora, gritou-se. Não pela falta em si, que foi bem sancionada, mas pela ausência de indicação de vantagem nas faltas que o adversário cometera, na tentativa de parar o maul.
A crítica é justa. Como o movimento desse maul se manteve muito rápido e dinâmico, as faltas efectivas do adversário deveriam ter dado lugar à indicação de vantagem mesmo que depois se viesse a confirma o fim da vantagem, uma vez que a equipa em progressão a teve, de facto.
Cá fora esperou-se, pelo menos, esse sinal.
Não é só na identificação correcta da falta que podemos falhar. Alguns erros surgem na comunicação deficiente com todo o resto dos agentes do jogo: público, treinadores, etc.
Para reflectir!
Abraços
TSS